Japim

16/04/2017

O japim é um lindo passarinho. Sua penas são pretas e amarelas. É também chamado de xexéu e joão-conguinho. E, - coisa curiosa - não tem canto próprio. Vive a imitar o canto de outros pássaros. Os índios contam, sobre o japim a seguinte história:

Este passarinho vivia no céu, cantando para Tupã. Quando o chefe dos deuses queria dormir, chamava o japim e ele cantava até que o seu senhor dormisse.

Certa vez, os índios ficaram muito triste, por causa de uma peste terrível que havia atacado as tribos. Resolveram, então, implorar a Tupã que os levasse para o céu, onde não há doenças nem tristezas. É claro que não foram atendidos. Mas Tupã enviou o japim à terra para os consolar.

Com seu canto maravilhoso, o japim expulsou a peste e fez desaparecer as tristezas dos índios. Estes voltaram ao trabalho e ficaram de novo, tranqüilos e felizes. Por isso, pediram a Tupã que lhes desse o japim. Desta vez, o chefe dos deuses os atendeu.

O japim ficou, então, muito orgulhoso. Julgou-se o dono da floresta. E passou a imitar o canto dos outros pássaros por zombaria. Resolveram estes queixar-se a Tupã.

O deus dos índios mandou chamar o japim e censurou-o severamente. Mas o danado do passarinho não se emendou. E continuou a imitar o canto dos outros pássaros.

Tupã ficou indignado e disse para o japim:

- De hoje em diante, perderás o teu canto e só poderás imitar o cantos de outras aves. Além disso, todos os pássaros hão de te odiar e de te perseguir.

E foi o que aconteceu. O japim passou a ser atacado pelas outras aves, que lhe destruíram o ninho e os filhotes. Resolveu então o japim, pedir auxílio às vespas. Estas ficaram com pena do pássaro e disseram:

- Não te aflijas, amigo japim. Farás sempre o teu ninho perto de nossas casas, e coitado daquele que se atrever a destruí-lo. Nós os mataremos com nossas ferroadas.

E, desde então, o japim constrói o seu ninho junto da casa das vespas. Ele perdeu seu canto, mas pode criar seus pássaros.

Fontes:
SANTOS, Teobaldo Miranda. Lendas e mitos do Brasil. 9ª Ed., São Paulo, Ed. Nacional, 1985.